Por Humberto de Luna Freire Filho
A interferência governamental na profissão médica no Brasil manifesta-se através de programas de saúde pública que visam distribuir médicos por regiões carentes, como o Mais Médicos, criado em 2013 e reativado em 2023 com o nome de Médicos pelo Brasil, alterando a formação profissional e gerando tensão com a classe. Basta lembrar o que vimos durante a pandemia da Covid-19 gerando debates sobre a autonomia médica e a qualidade do atendimento público.
Mais recentemente em abril de 2024,o governo criou o Decreto 11.999 para alterar a composição e o funcionamento da Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM), o que gerou mobilização de entidades médicas, pois a mudança era vista como um enfraquecimento da autonomia da comissão e um aumento da influência política e ideológica na formação médica. A luta de classe funcionou tanto é que em junho de 2024, o próprio governo federal revogou o decreto e o CNRM teve sua autonomia restabelecida.
As ações desse desgoverno em todos os setores demonstram apenas propaganda política suja, ideológica, que não leva a lugar nenhum e que jamais caberia em um setor profissional diretamente responsável pela vida. O mais inacreditável é que temos na Vice-Presidência da República e no Ministério da Saúde dois elementos que se dizem médicos. O que tenho visto nos últimos dois anos me fez transcrever abaixo um artigo escrito por mim em 2013 e foi publicado em um jornal que não fazia parte do grupo GLOBOLIXO. Hoje nada mudou, confira o texto publicado na íntegra !!!
SUBSERVIÊNCIA, JAMAIS!
Aos meus colegas médicos: nosso país nos últimos 12 anos transformou-se em um antro de corruptos e corruptores, onde ética e moral passam longe. Não temos um governo voltado para os interesses da sociedade. Temos uma verdadeira mega quadrilha formada por fisiológicos, cínicos e ladrões do erário que usam de todos os meios para atingir um fim – perpetuarem-se no poder.
A última vítima escolhida pelo bando para fazer proselitismo foi a nossa classe. Não podemos permitir. Somos profissionais sérios, exercemos nossa profissão com dignidade, não frequentamos a praça do Três Poderes, não circulamos nos sujos porões dessas fossas chamadas Palácio do Planalto e Congresso Nacional, não participamos do mensalão, não usamos cartões corporativos para pagar motéis e prostitutas, não usamos o suado dinheiro de nossos impostos para distribuir com ditadores mundo afora, não somos donatários de capitanias hereditárias, não fazemos de nossas bases aéreas praças de táxis a serviço de políticos de caráter duvidoso, esses mesmos que na república de Macunaíma presidiam as duas casa do Congresso, não transformamos o avião presidencial em motel aéreo, não usamos banco de fomento (BNDES) para financiar nossos materiais de trabalho, não colocamos o dedo na prensa a troco de aposentadoria precoce, nós cirurgiões precisamos dos 10 dedos para trabalhar.
Enfim, nós temos o respeito da sociedade esclarecida, e acredito que também o apoio da população, portanto temos força e devemos usá-la. Como profissional liberal há 35 anos, conheço meus direitos e deveres, jamais me submeterei a imposição de quadrilheiros. Obediência civil é fator que legitima governos e esse governo não merece o nosso respeito. Serei o primeiro da classe a não aceitar o cabresto desses corruptos e espero que as entidades de classe mantenham sua posição independente e de preferência que sejam mais incisivas em suas declarações públicas.
Baixar a cabeça diante dessas imposições é subserviência e covardia e nós não somos covardes. Fazer medicina no Brasil hoje, além brigarmos com a morte, temos que brigar contra os corruptos desse governo que agora se bandearam contra nós. Tentam desmoralizar a profissão, mas com a nossa união eles não conseguirão, pelo menos no que depender de mim. A desobediência civil se faz necessária quando a incompetência e a corrupção tomam conta de um governo.(Humberto de L. Freire Filho,médico)
Humberto de Luna Freire Filho, médico – Cidadão brasileiro sem medo de corruptos
